Artigo do Padre José do Vale: Idolatria no Protestantismo


 04.08.2009 -  “O ídolo número um entre o povo de Deus atualmente não é adultério, pornografia ou álcool. É a cobiça, um desejo dominante muito mais forte. O que é este ídolo? É a ambição obcecante de alcançar sucesso. E tem até mesmo uma doutrina para justificar”.
David Wilkerson  -  Pastor Americano


A Estátua de Zeus em Olímpia, no sul da Grécia, antigo local dos Jogos Olímpicos, erguia-se um conjunto de templos dóricos, 70 altares e centenas de estátuas em honra dos vencedores dos Jogos. A estrutura mais imponente era o Templo de Zeus, erguido entre 466 e 456 a.C. Ali os visitantes contemplavam atônitos a figura do rei dos deuses sentado num trono de 13 metros, toda em marfim e ouro, com o rosto envolto por uma ampla cabeleira. Ao vê-la, o general romano Aemilius Paulus declarou que era como se tivesse visto o próprio deus.
A idolatria, sem dúvida alguma, é um dos terríveis pecados que o ser humano pode praticar contra o único Deus verdadeiro (II Sm 7:22; Is 45:22; Jr 10:10). É uma negação e rejeição do Deus que criou o mundo e o ser humano a sua imagem e semelhança (Gn 1:26). É uma afronta a Deus que merece todo louvor, adoração, exaltação, santidade e abissal respeito (Sl 26:9; 34:9).
Mesmo assim, estamos vendo o crescimento maligno da idolatria. E o pior de tudo, é que muitos dos que afirmam serem cristãos, estão se enveredando pela trilha da idolatria do hedonismo, narcisismo, capitalismo, culto a personalidade e a avareza (Cl 3:5).
São Paulo Apóstolo exortou com veemência aos irmãos de Corinto dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, fugi da idolatria” (I Co 10:14).
Na sua carta aos Coríntios, o mesmo apóstolo afirma que os gentios sacrificam as suas oferendas aos demônios, e não a Deus (I Co 10:19,20). O diabo é o criador da idolatria (Gn 3:5; Is 14:14; Jo 8:44). São Paulo Apóstolo diz: “Só há um Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos”, “e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (I Co 8:6). Está explícito que todo o nosso culto é para glória de Deus e todas as nossas obras são para exaltar Jesus, Nosso Senhor (I Co 10:31: Cl 1:18). São Pedro Apóstolo afirma com categoria: “Para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém (I Pe 4:11). A idolatria é a terrível abominação contra o Criador.
A pior idolatria não a que se ver, mas aquela que se encontra dentro do coração (Mt 15:18,19). O coração não pode servir a Deus e ao diabo (Mt 6:24). O Senhor Deus não dá a sua glória ao um coração de ídolos (Is 42:8). Deus habita no coração abatido e contrito (Is 57:15). Quando deixamos de honrar e glorificar ao bom Deus como a fonte de todas as nossas bênçãos (At 17:25; Tg 1:17,18), corremos um risco tremendo de cair no pecado de idolatria.
Infelizmente, muitos cristãos têm cometido tal pecado. É muito fácil aponta o ídolo do outro, muito difícil é admitir o ídolo que carregamos dentro de nós. A idolatria é abominável aos olhos do Senhor Deus (Ap 22:15).
A Revista Graça, agosto de 2002, p. 44, está escrito: “Embora não adorem imagem, muitos evangélicos – às vezes, inconscientemente – praticam a idolatria”. “Estou profundamente incomodado com a situação das nossas igrejas hoje. Estão cheias dos ídolos da civilização moderna. Achamos que podemos ter tudo que este mundo tem para oferecer e, de alguma forma, ficar com Deus também”. Afirma Del Fehsenfeld Jr. Pastor americano. O principal ídolo dos falsos líderes religiosos é o dinheiro. (I Tm 6:10).
A Revista Eclésia, maio de 2004, p. 26, descreve: “A relação entre fé e riqueza nunca despertou tanto interesse quanto nos dias de hoje. Graças à predominância do capitalismo, as religiões são cada vez mais atraídas por um apelo financeiro. O principal alvo dos críticos dessa relação são os evangélicos”.
A Revista cita o sociólogo Ricardo Mariano, da PUC – RS, que diz: “A teologia da prosperidade, ao justificar o intenso pedido de dízimos e ofertas, agrada aos pastores cujos projetos evangelísticos são ambiciosos e de alto custo. Pastores, sem cerimônia, passaram a pedir dinheiro em grandes quantias, enquanto os fiéis, sem culpa, assumiram seus desejos de consumo e ambições materiais”.
A matéria de capa da Revista Impacto de Julho/Agosto de 2004, foi: “Idolatria Evangélica – Buscando a Deus em troca de benefício pessoal”. Diz o editorial da revista: “A bem da verdade, admitimos, ainda existem pessoas idólatras hoje. Não só entre povos pagãos, em terras distantes ou tribos indígenas, mas entre aqueles que se chamam cristãos e ainda ignoram o segundo mandamento, enchendo seus templos e casas de esculturas proibidas. Mas, novamente, isso nada tem a ver comigo – como diria o fariseu – graças dou ao meu Deus, que não sou um deles!”.
Líderes religiosos, templos, catedrais, denominações, status e títulos, tem se tornado verdadeiros ídolos para os falsos cristãos.
Cabeça de elefante, corpo humano, quatro braços, um barrigão e acompanhada de um ratinho, assim é Ganesh, deusa da Índia. Porque Ganesh é deusa pop no concorridíssimo panteão do hinduísmo? Quem responde é o cientista da religião Frank Usarski, professor da PUC – SP. “Ganesh é uma divindade funcional que recebe sacrifícios em momentos determinados, de acordo com a necessidade”.
Os falsos líderes religiosos vivem a ideologia Ganesh. Tais líderes são especialistas na arte de enganar o povo em nome de Deus. São duas estratégias: a primeira é fabricar ídolos conforme a necessidade do povo, e a segunda é torna-se o próprio ídolo com discursos que agrade as solicitudes das pessoas.
Por falta de conhecimento o povo é enganado (Os 4:6). A falta principal é do conhecimento da poderosa Palavra de Deus (Mt 22:29; Jo 5:39).
É vergonhoso o comércio da idolatria dentro e fora dos templos religiosos do Brasil e do mundo.
“Deus é Espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em Espírito e em verdade.” (Jo 4:24). Muitos estão adorando outro espírito, praticando outro evangelho que é o da idolatria e adorando a mentira dos líderes religiosos. Os líderes religiosos estão fingindo que estão pregando Jesus e os fiéis estão fingindo que estão acreditando. Na realidade, estamos vivendo a era comercial das igrejas, e a superficialidade da fé.
Em sua coluna semanal na revista Veja, Diogo Mainardi escreveu em 11/06/2003, p. 127: “O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Qualquer um pode atribuir-se milagres em nome de deus. E, em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros”.
A doutrinação da teologia da prosperidade nos templos “ditos cristãos” tem criado uma multidão de idólatras.
Para denunciar esse grave pecado contra o Senhor Deus, onde estão os profetas como São João Batista? Os pregadores como São Francisco de Assis? Os teólogos como Jonathan Edwards?

Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

B I B L I O G R A F I A

Veja, 11/06/2003, p.127.
Veja, 22/09/2003, p.66.
Impacto, Janeiro/Fevereiro de 2.004, p.5.
Impacto, Julho/Agosto de 2004, p.1
Graça, Agosto de 2002, p.44.
Eclésia, Maio de 2004, p.26 e 27.
www.icarobrasil.com.br/dezembro de 2004, p.76.


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